Sobre nossas diferenças: a graça da vida

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Outro dia conversávamos sobre um amigo que não gosta de arroz de nenhuma maneira, em número, gênero e grau.

Começaram as divagações sobre como seria um prato sem arroz todos os dias, ou frases do tipo: “como alguém consegue?” ou “você então não come comida japonesa? Impossível!”.

Para essas perguntas, ele respondia: “sim, como comida japonesa. Só não como o que tem arroz”. E para cada nova resposta dele, vinha um “impossível!”, “como consegue?”, “ah gente! Não dá”.

Claro que daria se não tivéssemos a mania de ver as coisas sempre da nossa ótica, do nosso ponto de vista. Eu, por exemplo, não como cebola, não gosto muito de filme cult por achar que cinema é arte para quem faz, mas para quem consome é diversão.

tolerancia5Que bom que tem gente que não come arroz. As diferenças são a graça da vida. As responsáveis por nos individualizar, por nos tornar únicos entre os demais.

Tenho amigos que não bebem. Conversamos horas no bar. Eles água, eu cerveja. Mesmo assim uma conversa melhor do que com alguém que bebesse e eu não tivesse afinidade.

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Meu amigo não come arroz mas sabe mais sobre mim do que muitos outros que me acompanhariam a um rodízio de risoto (risos). Minha irmã não gosta de leite. Não fico sem leite e derivados um dia sequer. Nos amamos muito.

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Cassia gosta de menina, João não faz nada domingo de noite porque vai à missa, Isabel não quer ter filho ainda que se case. Elias prefere meninos e sua melhor amiga é a Frida, uma negra muito simpática que é casada com o Peter. Eles têm um filho com necessidades especiais. Estamos esperando o Matheus que sempre se atrasa um pouquinho, porque ele é deficiente físico e a cidade não está preparada para ele. Saímos juntos e sempre é bem divertido, todos se respeitam apesar das diferenças.

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E é isso que nos une porque todo o resto e as peculiaridades de cada um não podem, não devem interferir numa convivência sadia.

O homem em qualquer época sempre teve dificuldades para aceitar ou entender o novo, o diferente ou o que não conhece. Contudo, por vezes não conhece porque não se dá essa oportunidade de tentar, com empatia, entender os outros.

Ter uma religião diferente da sua, uma orientação sexual diferente da sua, uma condição social diferente da sua, necessidades diferentes das suas. Embora essas diferenças tenham repercussões sociais mais abrangentes do que não comer cebola, ou arroz, ou não tomar leite, no fundo geram o mesmo efeito: nossa mania egoísta de achar que somos a pessoa mais importante do mundo. De pensar que tudo e todos devem seguir o nosso “standard”, o padrão “eu” de qualidade. Por esse motivo, acabamos sempre vendo tudo pela nossa ótica, sem se colocar no lugar do outro e não aceitando que seja possível, enfim, um prato sem arroz.

Abraços,

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Comentários

José Guimarães Gomes Júnior

About José Guimarães Gomes Júnior

Quando criei o Questão de Interessância, pensei numa forma de dividir e divulgar ideias, além de oferecer e compartilhar espaço com quem não tem. Gosto de escrever durante a noite na companhia da insônia que frequentemente me visita. Escrevo também nas viagens para o trabalho, já que o trânsito caótico e o transporte público de má qualidade do Rio de Janeiro me proporcionam tempo para isso.

One thought on “Sobre nossas diferenças: a graça da vida

  1. Ailson
    28 de outubro de 2015 at 16:19

    Parabéns Zé, as boas ideias, pensamentos nobres e positivos precisam ser compartilhados e o seu espaço parecer estar de acordo… Já sou seguidor e espero aproveitar bastante…

    Um forte abraço,

    Ailson

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