“Não temos wifi, conversem entre vocês”

naowifiEngraçadas algumas situações da vida. Estou num bar que costumo ir, comendo e bebendo. Olhei para a TV, Internacional e algum outro time da América Latina é o jogo que está passando, e parece não interessar a ninguém.

Ouço a conversa das pessoas. Mesas de amigos. Uns lembrando passagens da amizade nostálgicos. Outros falando de trabalho um pouco raivosos.

Eu também estou conversando – virtualmente – enquanto aprecio minha cerveja artesanal. Converso sobre lembranças engraçadas com amigos da época de outro emprego. Com pessoas no whatsapp. Estou rindo e me divertindo muito mais do que quem está fisicamente acompanhado.

Mundo louco este em que estamos vivendo. Quem não está presente te diverte mais do que quem está. Será? Seriam as nossas relações e amizades os tais “amores líquidos”, como diria o filósofo?

Um amigo que trabalha em Rondônia, às vezes (raramente), encontra comigo no Rio, já que desembarca no aeroporto perto de onde trabalho. Ainda assim, foi pelo whatsapp, de lá, que ele me convidou para ser padrinho do seu casamento com uma menina muito gente boa que conheceu no Rio, mas que mora em Brasília. (Risos).

Fiquei muito feliz de qualquer maneira com o convite.

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Esta semana ele estará no Rio e novamente não nos veremos. Ambos têm compromissos que impedem o encontro, mas tudo bem, a gente se fala mesmo quase todo dia pelo whatsapp com fotos, áudios e mensagens. E nem nos esforçamos tanto para que o encontro acontecesse.

Antes, as pessoas ficavam tanto tempo sem se falar, que qualquer encontro era ansiosamente esperado e todos tratavam de arquitetar maneiras de desmarcar outros compromissos para que tudo desse certo. Agora, essa pseudo sensação de estarmos juntos o tempo todo sem de fato estarmos esvazia a vontade de se esforçar para que realmente estejamos.

Tá, ainda temos o telefone. As operadoras todas já estão revendo seus planos, principalmente os que acumulam minutos, que sobram todos os meses. Ninguém se liga mais. Foi muito mais fácil ensinar nossos pais e até avós a usar a rede do que ter tempo de ligar para alguém.

Já repararam, principalmente as meninas, que fazem isso muito melhor, como as roupas da tendência nas lojas estão cheias de babados e alto-relevo sobre as peças? Explicação de uma estilista: “o alto-relevo e determinados tipos de rendas e babados dão uma sensação boa de toque, de contato, e as pessoas estão carentes disso”. Ainda que eu não seja um admirador das explicações e teorias de estilistas e carnavalescos, sou obrigado a concordar. (Risos).

deitadasAs pessoas ao meu lado na mesa estão na presença de outras pessoas, têm alguém que pode ouvi-las fisicamente. Preferem, contudo, nessas cada vez mais raras oportunidades, ficar olhando as redes sociais.

Deve ter algo de muito errado nisso. Eu não posso estar sozinho num bar me divertindo mais do que quem está acompanhado de amigos ou companheiros de trabalho.

Não tenho nada contra as redes, pelo contrário: tenho um blog, uma página no face e adoro a interação das pessoas. Isso não pode, entretanto, me fazer mais feliz do que a presença dos amigos ou entes queridos.

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Por isso, só por hoje, vamos fazer um exercício? Em vez de mandar uma mensagem para os seus pais, ligue para eles! É capaz de eles estranharem. (Risos). Conversem um pouco. Ou então, em vez de ensinar a sua vó a olhar o feed do face ou a enviar uma foto pelo whatsapp, dê um abraço, converse e deixe ela te contar algumas histórias da sua vida que você nem deve mais se lembrar.

Só de mudar um pouco a rotina, quem sabe já não vai nos fazer um bem enorme.

De repente, você nem gosta tanto assim de rendas e alto-relevos. (Risos).

Abraços, cropped-IMG_20141004_1545041.jpg.

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José Guimarães Gomes Júnior

About José Guimarães Gomes Júnior

Quando criei o Questão de Interessância, pensei numa forma de dividir e divulgar ideias, além de oferecer e compartilhar espaço com quem não tem. Gosto de escrever durante a noite na companhia da insônia que frequentemente me visita. Escrevo também nas viagens para o trabalho, já que o trânsito caótico e o transporte público de má qualidade do Rio de Janeiro me proporcionam tempo para isso.