O projeto “Rio, eu tatuo” e a experiência do financiamento coletivo

Assistiu ao vídeo? Por vezes as pessoas reclamam da má utilização das redes sociais para assuntos fúteis ou desinteressantes. Quando comecei a ouvir, porém, pessoas falando com entusiasmo sobre financiamento coletivo de projetos independentes – e já faz um tempo que comecei a ouvir, mas só agora consegui estudar um pouco e entender sobre o assunto – sobre crowdfunding, financiamento de massa, sobre sites como o kickante.com.br, fiquei feliz. Em primeiro lugar, por ser mais uma forma interessante de fazer uso colaborativo das redes sociais. Segundo, porque nós do Questão de Interessância achamos de suma importância, num país que se diz democrático, que as pessoas possam viver da sua arte, fazendo o que gostam e realizando seus sonhos.

Resumindo para que os amigos leitores entendam, o financiamento coletivo (crowdfunding) consiste na obtenção de capital para iniciativas de interesse coletivo através da agregação de múltiplas fontes de financiamento, em geral pessoas físicas como nós, interessadas na iniciativa e que queiram contribuir com qualquer valor. O termo é muitas vezes usado para descrever especificamente ações na Internet com o objetivo de arrecadar dinheiro para pequenos negócios e start-ups, campanhas políticas, iniciativas de software livre, e princialmente, para as nossas áreas de preferência: artistas independentes, jornalismo cidadão, doações e filantropia e ajuda a regiões atingidas por desastres, entre outros.

Geralmente, é estipulada uma meta de arrecadação que deve ser atingida para que o projeto do artista seja viabilizado. Mas não há risco em ajudar porque, caso os recursos arrecadados sejam inferiores à meta, o projeto não é financiado e o montante arrecadado volta para os doadores com toda segurança. Um outro aspecto comum e muito legal em iniciativas de financiamento coletivo é a concessão de presentes e recompensas a quem ajuda e contribui, que são em escala proporcional à grandeza do incentivo concedido. As recompensas estão de certa forma associadas ao objetivo final, mas isso não é necessariamente uma obrigação: a captação de recursos para a realização de um filme, por exemplo, pode prever recompensas como fotos das locações nas quais a obra será rodada.

Suponha que um indivíduo precise de financiamento para seu projeto. Ele descreverá o seu projeto com um vídeo, um texto e uma meta de orçamento necessária, o que não custa nada para ele. Você visita o site, gosta do projeto e decide ajudar porque sabe que não corre nenhum risco. Sua quantia será devolvida se algo não der certo. E o melhor: ainda ajuda alguém a viver fazendo o que gosta e recebendo um brinde, ou próprio produto a ser produzido de quebra. Pode ainda, presentear amigos ou seus funcionários, por exemplo, se preferir.

riotatuoexpoPara viver a experiência, decidimos conhecer e incentivar o projeto da jovem fotógrafa Julia Assis, amiga do Questão de Interessância. Ela está com uma belíssima exposição chamada Rio, eu tatuo, no Botafogo Praia Shopping; a qual, devido ao sucesso, foi prorrogada até 27 de abril para os que quiserem conhecer. E o melhor, a entrada é franca.

Essa exposição vai se transformar num lindo livro de fotografias através do financiamento coletivo. Para a fotógrafa:

Esse projeto é uma homenagem à cidade maravilhosa e não será apenas um livro de paisagens cariocas! A ideia é mais ampla. Andando pelas ruas vêem-se exemplos cotidianos de pessoas que eternizaram o Rio em sua pele. Já diria o Chico Buarque, “quero ficar no teu corpo feito tatuagem”. A proposta é perpetuar, em forma de livro, uma escolha eterna, a tatuagem, de um lugar de beleza eterna, o Rio. Fotografar as tattoos mais significativas e reuni-las em páginas de cor, beleza e inspiração. de lançar um livro lindo com essas fotografias.”

“Em 2011 eu fui morar e trabalhar em SP e decidi fazer minha primeira tatuagem do Rio, o Morro Dois Irmãos, para exibir a minha cidade na minha pele. Em 2012 percebi que não conseguia ficar distante do Rio, resolvi voltar e fazer uma segunda tatuagem, dos Arcos da Lapa. Foi então me perguntei se isso era algo comum, se existiam outras pessoas que também declaravam o amor ao Rio na pele e foi quando comecei a fotografar para o Rio, eu tatuo.” 

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E aí? Gostou da ideia do financiamento coletivo? Gostou do projeto? Quer conhecer melhor, contribuir e ajudar alguém a viver da sua arte? Vá ao site clicando aqui e conheça melhor sobre tudo que falamos.

Feliz Páscoa para todos.

Abraços, cropped-IMG_20141004_1545041.jpg

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José Guimarães Gomes Júnior

About José Guimarães Gomes Júnior

Quando criei o Questão de Interessância, pensei numa forma de dividir e divulgar ideias, além de oferecer e compartilhar espaço com quem não tem. Gosto de escrever durante a noite na companhia da insônia que frequentemente me visita. Escrevo também nas viagens para o trabalho, já que o trânsito caótico e o transporte público de má qualidade do Rio de Janeiro me proporcionam tempo para isso.